________ Urcasonica Sound System ________

Uma vez alguém disse que só viajando encontramos nossos pedaços perdidos pelo mundo.
E é verdade. As boas energias estão em todos os cantos... com freqüências diferentes, gostos diferentes e saudades diferentes. Por isso antes de contar as aventuras de nossos intrépidos-djs-e-seus-discos-maravilhosos, gostaríamos de agradecer: a essa equipe maravilhosa, esse time de amigos e loucos que apoiaram nossa trip: U-Crew, Walter Clein, Lica, Dna Fofolete, Natty, Paulinha, Len, Pantera, Ruy, Indio, Tuca, Giba-San, Dj Leo, Negralha, Urcasoniquetes, Jeff bass, Maskote, Arcanjo, Gui e toda a equipe Ultraeco.

 

PARTE I

Saímos da Urca por volta das 10:00 para pegar o vôo que saia as 11:00. Não que estivéssemos atrasados ou atolados, pelo contrário, estávamos prontos há algum tempo mas a chuva que caia desde as 07:00 tinha espantado todos os taxistas das ruas. Após muita água céu abaixo, chegou nosso táxi que já foi logo avisando:

“Pessoal a chuva está braba hein, vamos ter uma aventura daquelas!”

Banzai olhou pra B-Do que olhou pra Banzai e só não caíram na gargalhada por que a situação não tinha nada de engraçado.
O piloto não passava da 3ª. Marcha e pelos próximos 40 minutos tentaríamos persuadir o motorista (provavelmente contratado por algum concorrente interessado em sabotar nossa turnê) a andar mais rápido que os disponíveis 50 km por hora e, se possível, realizar algumas ultrapassagens e mudanças de filas. Bom, com relação as ultrapassagens não tivemos do que reclamar pois ele realizou duas... com relação as mudanças de fila ele alegava:

“Por que não saímos mais cedo?”

Após muitas piadas referidas a Rubens Barrichello, o sagaz motora desovou o USS no aeroporto do Rio.
A viagem até Porto Alegre foi boa, quer dizer quase, em determinado momento depois que a aeromoça tinha salvado o apetite dos raggaboyz com uma dúzia de croissants, o avião começou a balançar.
Mas balançar mesmo! Não era turbulência não era sacudindo mesmo. De um lado pro outro de cima pra baixo, na diagonal, e quando já estávamos embrulhados eis que surge a voz confortadora de nosso comandante:

“Estamos atravessando uma zona de instabilidade intensa, nosso avião esta recebendo ventos de 260 km por hora na calda pelo lado direito. Esperamos que esta situação não perdure.”

Banzai soltou:

“Heeeeeeeeeeiiiiiiiinnnnn!!!!! Que porra é essaaaaaaaaaa???
Como assim, rapá se eu não tivesse dopado de Dramine... chama a aeromooooça!!!”

Enfim, os momentos finais do vôo foram realmente angustiantes.

Chegamos em POA e demos de cara com o mais que casca grossa anjo-da-guarda Valter Klein que de bate-pronto salvou a digestão daqueles croissants e baixou o stress por causa da ventania. Valter Klein é dj e produtor de longa data no sul com direito a espaço Valter Klein e tudo mais na Mega Levi´s de POA. Fomos direto conhecer o pico. O Choice é um lugar bem bacana, na rua mais style da city. O bar é novo e sempre atrai gente legal.
Deixamos o equipamento e como bons carnívoros, pedimos pra conhecer a melhor churrascaria da cidade, e assim fomos atendidos.

Lica a mulher maravilha que canta, dança e ainda tem um sorriso de espantar o frio recebeu o crew na casa dela. Dna Fofolete, a mulher que manda na mulher-maravilha... especializada em alto astral, deixou o crew totalmente à vontade. Dna. Fofolete falou logo: "nada de churrascaria de paulista, tem que ir numa churrascaria tradicional!". Sugestão aceita e lá fomos nós pro churrasco no Galpão Crioulo. Tudo delicioso, diferente mas delicioso e o crew encarou o vazio com muito vazio (vazio é o nome dado ao corte especial da fraldinha) e sagu (sobremesa animalmente deliciosa só encontrada por aquelas areias de lá) e partimos pra night.
Não podia ser diferente e mesmo com o frio absurdo, e uma partida da Libertadores da América na televisão aonde o Grêmio e seus rivais eram o assunto do momento: "E aí você vai torcer ou vai secar?"
Numa cidade literalmente dividida entre azul e vermelho, quem não assiste pra torcer, assiste pra torcer contra e mesmo com a tudo paralisado pelo frio-televisivo, a festa rolou na maior vibe.


Logo depois do jogo, Lica subiu ao palco pra tacar fogo e acender as esperanças dos mais gélidos corações.
Acompanhada de seu mc Len, um africano que tem estilo e garganta de sobra, e seu dj Valter Klein, Lica fez um set que mesclava músicas de sua autoria e versões de tracks consagradas.
A gata canta muuuuito mesmo. Maximum Respect!

USS assumiu os controles e a rapaziada pode degustar um monte de tracks inéditas (pelo menos por lá...).
Após muita distribuição de adesivos e livrinhos Ultraeco, saímos da festa direto para o tradicional "O LISÉRGICO VAN GOGH", um bar que rola madruga a dentro servindo uma cerva deliciosa, e um monte de petiscos. Parada estilo boemia gaúcha total! Dali direto pro aeroporto, sem descanso, mas com o coração cheio.

Que POA cuide bem desse crew: Lica, Natty, Paulinha, Len, Pantera, Ruy, Indio, etc. E que vocês continuem assim, merecendo essa cidade que é poweeeeer!

PARTE II

Do aeroporto pra Floripa, carro alugado, marcamos com o TUCA, um dos fundadores da OCULTO, uma produtora com frentes de trabalhos bem boladas. Festas, agenciamento de djs, turismo e até mercado imobliário. Os caras definitivamente não estão de bobeira. Almoço no restaurante natureba da ilha (tinha sagú de sobremesa) e seguimos pra pousada acompanhados pelo Tuca, que já chegou salvando...
Tuca é um cara daqueles dispostos a tudo. Trabalhar com o cara é certeza de coisas dando certo. O cara tem a disposição total e ainda sabe lidar com os problemas com muita tranqüilidade. Em breve vcs poderão conhecer o jeito aluscinante dele fazer festa. A gente ta planejando montar uma festa multi-local aqui no Rio e em Floripa. Uma festa com duas edições... como sempre quem vai sair ganhando são vcs.

El Divino Big Screen: Tuca... sempre bem acompanhado.

Chegamos na reserva florestal da Joaquina... e nosso pico realmente era demais! Descanso merecido que nada, vamo pra rádio que tem entrevista.
B-Do liga pro Negralha...:

“Gralha, tamo passando aí pra ir pra rádio... Claro que vamo salvar!
Como assim, acabamo de chegar na Ilha!
Quem tem Tuca tem tudo! Desceeeeee...”

Bonde formado, shape shapeado, direto pra rádio, todo mundo agulhado estacionando os carros, entramos direto da recepção pra porta do elevador.
A gente tava atrasado e queríamos correr pra não ter que dar explicações burocráticas... pulamos pra dentro do elevador no embalo máximo, a porta fechou e tchummmm parou tudo.
Apagou a luz, o ventilador, a porta, o alarme, não sobia, nem descia... ficou sinistro. No inicio todo mundo calminho, mas não precisou nem 5 minutos pra galera começar a se questionar...
Uns suavam... outros ficavam enjoados... uns queriam arrombar a porta a qualquer custo... Banzai encontrou uma entrada de ar entre as chapas de aluminio que salvou os mais afoitos.
E quando o celular voltou a pegar, conseguimos ligar pra rádio que acionou a manutenção e salvou o crew de lá.
A entrevista com o divertido radialista Henrique Fernandes da Radio Jovem Pan Floripa foi um barato e com o astral lá em cima, antecipando o que estaria por vir na festa que bomba toda quinta o El Divino.
De volta pra pousada, uns 40 minutos de descanço e...

"Acoooorda, tamo atrasado.
Carajo, quase dez da noite.
E a equipe de divulgação já deve estar lá.
Aceleeeeera."

B-Do partiu na frente pra coordenar os trabalhos com as Urcasôni-cats Raquel e Thais que tinham sido acionadas pela Ultraeco pra representar a marca na festa.
Tínhamos muito trabalho a fazer e B-Do não economizou o carrinho alugado que seguia decolando entre um quebra-mola e outro.
Foram quase 5000 livrinhos de Ultraeco distribuídos, mais centenas e centenas de adesivos diferentes.
Os produtos (e as promoters) fizeram o maior sucesso e nossa missão foi cumprida mais uma vez.
Lá dentro, da antiga Café Cancun toda reformada e anabolizada a pista do El Divino (Orla, tem outro em Jurerê Internacional) já fervia desde cedo e por volta da 01:00 iniciamos nosso set para as 800 pessoas que chacoalhavam ao som dos djs locais da produtora OCULTO.
Como não poderia deixar de ser, colocamos aquela lenha especial na fogueira, pra incendiar de vez a pista.
O mix set de hip hop + dancehall + black fez bonito e ninguém saiu da pista.

Em tempo: Quando a gente chegou na cidade, conhecemos outros envolvidos na festa que estavam muito preocupados em saber que éramos um sound system.
Parece que outros sound systems cariocas passaram por lá e acabaram com a festa. Esvaziando a pista e mandando metade dos clientes embora ao impor um estilo desapropriado para a situação.

Sugestão Urcasônica: É preciso muito mais que cara feia e pose de artista pra fazer as pessoas olharem pra vc com brilho nos olhos. É preciso entender o que se passa, reavaliar a estratégia a cada música, procurar sinais e acima de tudo, fazer o adequado. Queridos concorrentes, por favor, não estraguem o trabalho de todos. Não tentem impor o estilo de vcs em situações adversas. Prestem atenção!

02:00 negralha assumiu e a história se repetiu, da mesma maneira que a fórmula USS + Negralha funcionou na festa da Red Bull Air Race, funcionou na festa em Floripa. A dobradinha fez bonito e a galera ficou pedindo mais um.
Depois de várias fotos (fazendo pose de artista mesmo...) com os grupinhos de 8, 12, 20 (!) babies que se revezavam em volta da cabine, fomos pra casa tentar descansar.

PARTE III

Acordamos, almoçamos, visitamos a sede da OCULTO na casa do Tuca e depois de mutio business-high-energy-talk, pegamos a estrada pra Curitiba, o frio que já tinha dado muito incômodo resolveu pegar pesado e a projeção era que Curitiba ia estar ainda mais gelado.
A viagem foi no mais puro easy rider style. Paramos em vários picos maneiros, comemos bem, colamos mais uns 100 adesivos e quando estávamos a quarenta quilômetros de Curitiba por volta das 21 (teríamos tempo de sobra para chegar na festa), entre uma curva e outra, um engarrafamento daqueles!

Um acidente de caminhão que carregava carvão impediu a passagem dos carros e àquela altura, o trânsito já era de 10 quilômetros. Janelas fechadas pra isolar o frio e a espera foi a base de muito relaxamento jamaicano, quando já não agüentavam mais Banzai e B-Do desmaiaram pelo que pareceu ser por 01:40... Foi que de repente, tomamos aquele susto. Umas 8 pessoas esmurravam nossas janelas desesperadamente no intuito de nos acordar e liberar a pista que já estava com uns 30 quilômetros de engarrafamento. As pessoas estavam com a cara grudada no vidro, balançando o carro, gritando e sacudindo a gente. Quando Banzai acordou e viu que a estrada a nossa frente seguia limpinha, sem nenhum carro, tomou aquele susto e abriu a janela gritando vamo nessaaaaaaaa..... B-Do acordou já estávamos acelerando a todo vapor na pista que seguia vazia por quilômetros e quilômetros.

Em Curitiba, como era de se esperar, 4 graus e na primeira onda de frio do ano, ninguém na rua.
Ninguém mesmo, nem nas calçadas, ou em carros, em bares, nada mesmo e ainda era uma sexta-feira, fiquei imaginando uma segunda-feira de frio!
Chegamos a sede da festa Bum Clap e Jeff Bass esculachava discos de ragga e hip hop ao público seleto que se esquentava rebolando do jeito que dava.

Muita musica boa rolando e assumimos as pick ups.
Maskote, MC e produtor ativo de Curitiba e Arcanjo (isso mesmo Arcanjo da família 7 velas que está casado e com o sorriso mais aberto do que nunca) subiram ao palco pra um grand prix de mais de 12 bases de dancehall.
Enquanto eles revezavam o mic, a gente trocava as bases, e a bagunça seguiu até que o frio congelasse nossos sistemas operacionais.

Maskote ainda levou o crew pra uma churrascaria especializada em Costela que funcionava na madruga numa esquina tomada pela névoa.
Direto pro aeroporto, devolve o carro, check in, e ronco.

 

PARTE IV - BACK TO THE ROOTS!

A gente tem feito parceria com a galera do hip hop, do eletrônico... Tem feito um monte de projetos legais e um monte de coisas novas estão rolando. Sempre que a gente procura alguém do hip hop pra fazer alguma coisa, somos correspondidos e quase sempre rola alguma coisa. Com a galera do eletrônico, idem. Mas me diz então por que a gente não consegue fazer nada em parceria com o crew do reggae, principalmente o crew do reggae aqui do Rio...

Acordamos naquele calorão habitual informando que estávamos de volta a nossa terra. Hot sweet Hot!
Linha vermelha na pressão e fomos direto pro Cais do Oriente preparar o que seria a saideira da festança.
Se tudo tinha dado certo em Porto Alegre, em Floripa e Curitiba, não ia ser na nossa hora que a festa ia dar errado...
Mesmo com o gás em baixa, encontramos forças pra montar uma Rio Dancefloor daquelas.
Urcasônica tocou com fúria de sprint final, Pedro Dubstrong que há muito não dava o ar da graça fez todo mundo curtir o iquestionável set de uma hora e vinte que apresentou um pouco de tudo. Realmente quem ainda não está tocando de Serato, está fora do mercado. As possibilidades sonoras são muuuuito superiores e o resultado final fica muito mais completo.
Nepal (de Serato...) não ia deixar pra menos e as quase 600 pessoas que estavam lá definitivamente curtiram a vibe da festa.

 

Gui (o Patrão aqui na foto de cima) e Caio vieram pra encerrar a Ultraeco Road Tour e parece que o fim será só um começo.
A marca está de mudança pro Rio de Janeiro e em breve todos os sounds, djs e produtores vão poder desfrutar desse pique produtivo vindo direto de São Paulo.

As lembranças ficam, as palavras seguem e a vontade de realizar muito mais deixa a gente bêbado, cego, doido.
E dessa passagem aprendemos duas coisas: primeiro que nada somos sem os parceiros e amigos e segundo é que ninguém segura esse crew que agora só para depois das fronteiras do Brasil.

 

A ULTRAECO é uma marca muito bacana.
O Gorila é o mascote e a disposição é a especialidade da casa.
Em kombination com USS, a ULTRAECO vai fazer a festa, ou melhor, as festas. Hit the road!

09/05 ORANGE GROOVE @ CHOICE CLUB - Porto Alegre/RS
Urcasônica Sound System
Lica

10/05 HIP HOP CHIC @ EL DIVINO - Florianópolis/SC
Urcasônica Sound System
Negralha

11/05 BUM CLAP! @ RADIOLA - Curitiba/PR
Urcasônica Sound System
Jeff Bass

12/05 RIO DANCEFLOOR @ CAIS DO ORIENTE - Rio de Janeiro/RJ
Urcasônica Sound System
Dubstrong
Nepal
Jonas Rocha


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